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segunda-feira, 19 de março de 2012

- capítulo II -

E ali estava escrito:

"Nada temas. 
Se tiveres de atravessar a água, estarei ao teu lado.
Se caminhares pelo fogo, não te queimarás.
Fica tranquilo pois estou contigo"

Sem compreender, fechei o livro no intuito de ir até a senhora e devolvê-lo. Porém já era tarde demais e aquela que há instantes estava ao meu lado agora era apenas a lembrança de alguém como minha avó.
Sem alternativas, volto para casa com o livro e o cigarro nas mãos. Eu desconheço as regras da sociedade, eu vivo à minha maneira. Nunca me condenei por minhas escolhas, mas essas agora me trazem consequências nada agradáveis. Eu contraí o HIV.
Enquanto eu andava, pensava, lembrava, revivia momentos que me fizeram chegar até aqui, dessa forma. Não, não me arrependia de nada, tudo foi uma forma de sobrevivência. Sempre acreditei que outros caminhos poderiam sim ser tomados, só que isso aconteceu graças ao que muitos chama de destino, força sobrenatural...mas eu, Adélia, nunca me apeguei a essas teorias, sempre me encarreguei de escrever minha própria história e criar meus próprios mandamentos. Talvez por isso o que estava escrito no livro não me fazia a menor diferença.
Mesmo agora, no momento mais crítico da minha trajetória eu me faço de forte por fora, para que ninguém me perturbe com perguntas que certamente não resolverão meus problemas. Me faço inteira e sarcástica, como sempre, e espero mais uma vítima da minha indiferença. Porém, lá dentro de mim, tudo está podre, como o lodo da vida.

***escrito por Ana Karolina***

- capítulo I -

Lá estava eu sentada em minha cama com um cara que eu nem lembrava o nome. 
Era sempre a mesma coisa, já estava cansada daquilo...mas o que eu poderia fazer? Eu era o que era e não podia mudar.
Olhei para o relógio: já eram 11 horas da manhã. Levantei, escovei os dentes, peguei um pouco de dinheiro e fui comprar cigarros. Quando estava voltando para minha casa, passei por uma praça. Lá eu vi uma senhora muito parecida com a minha avó.
Não sei porque mas senti uma vontade imensa de ir até a senhora. Quando cheguei perto notei que ela estava lendo um livro. Ela olhou pra mim, deu um sorriso doce e pediu-me que me sentasse ao seu lado. Então ela me  entregou aquele livro.
Surpresa, sem entender por que ela havia me presenteado, a questionei. Ela não respondeu, apenas deixou o livro e foi embora.
Eu abri o livro e nele estava escrito...




***texto escrito por Pamela Valéria***