Voltando pra casa fiquei pensando se realmente valeria a pena procurá-lo, enquanto eu volta pra casa, até que fui surpreendida pela chuva. Naquela altura do campeonato eu já nem ligava mais , então eu continuei caminhando e aquela chuva me fez pensar ainda mais nele , pois foi em um dia de chuva que nos conhecemos .
Lembrei daquele dia como se fosse ontem: foi tudo tão ao acaso , estava voltando de um barzinho que estava costuma ir às sextas feiras. Seguindo pela avenida deserta fiquei pensando na minha vida e parecia que aquela rua não acabava mais... de repente começou a chover então corri pra debaixo de um toldo desses de loja e sentei em um degrau que tinha ali na espera de que a chuva amenizasse para poder ir embora . A chuva relutava em diminuir então fiquei pensando em tudo mas ao mesmo tempo em nada até que um homem alto moreno, de porte agradável ,se aproximou mas eu nem dei importância afinal era só um cara andando na rua tarde da noite na chuva... mas ele veio e se sentou ao meu lado , não disse nada apenas sorriu mas não era qualquer sorriso era diferente , provocativo.
Ficamos sentados ali uns cinco minutos em silêncio , até que ele me olhou, sorriu novamente e aquele silêncio quebrou :
-Qual é seu nome? Com uma voz forte e ao mesmo tempo tão serena que me invadiu. Tremi por dentro e nada não consegui dizer nada, ele novamente decidiu quebrar o silencio.
-Prazer, sou Felipe. Felipe Sotelli. -e novamente sorriu, como se ele soubesse que aquele sorriso tinha mexido comigo.
Eu, sem entender, nada disse:
-Adélia Ribeiro.
Depois disso o assunto fluiu. Conversamos sobre muitas coisas, como conversas de adolescentes que acabaram de se conhecer: tipos de músicas, livros, preferências ...conversamos por horas e nem percebemos que a chuva havia parado. Levantamo-nos para irmos embora e ele decidiu me acompanhar até em casa.
Estava um pouco frio devido à chuva e ele gentilmente me deu seu casaco, senti coisas que talvez nunca tivesse permitido sentir. Fomos caminhando e conversando mais ainda, foi tão incrível! Ele me deixou na porta do edifício, e eu precisava de um pretexto para vê-lo de novo e acredito que ele também. Como?
Então do bolso do casaco ele tirou um cartão escrito “Dr. Felipe Sotelli” Advocacia com o número e endereço do escritório e atrás do mesmo escrito o endereço de sua casa. Uau!
Devolvi o casaco e agradeci a companhia. Antes de ir ele disse:
- Ligue quando sentir saudades!
Beijou- me na testa chamou um táxi e sumiu ao final da rua .
Diferente das outras noite eu demorei a dormir, estava alegre, cheia de vida!
A saudade bateu e bateu forte! Fiquei dias olhando praquele cartão até criar coragem e ligar. Marcamos de sair, nos encontramos muitas vezes . Um relacionamento surgiu pelo menos pra mim. Na última noite em que nos encontramos foi a nossa primeira vez... no começo nós hesitou mas logo nos entregamos... pra mim foi como a primeira vez de todas, apesar de já ter dormido com outros caras. Foi simplesmente mágico!!!
No dia seguinte, quando acordei, ele não estava ao meu lado. Encontrei um bilhete que ele deixou :“Perdão “.
Fiquei sentada na cama por horas tentando entender a razão desse pedido, peguei o telefone liguei , liguei e nada de me atender , deixei recados na caixa postal ,mandei mensagens, e-mails mas nada dele! Chorei por dias como uma criança .
De volta a realidade decidi que ia esquecê-lo, até que em uns desses exames de rotina descobri que estava com HIV :agora talvez pudesse entender porque do pedido de PERDÃO.
No primeiro momento chorei , gritei, senti raiva ódio ,vi que ali estava um fardo pesado a ser carregado...
Depois do susto me informei da doença e vi que poderia viver mas, apaixonada que estava, sem Felipe eu não sei se conseguiria.
Comecei a pensar em querer viver mas sem apoio nenhum deixei com que a doença me destruísse não ligava mais pra nada dormia com muitos caras, bebia até não aguentar mais e fumava ...como fumava!
Nesse dia em que pensei em procura-lo tudo mudou: quando cheguei em casa depois da chuva, depois de ter lembrado de tudo isso, pensei : “será que esse era o verdadeiro motivo dele ter partido? Será que contraí a doença através dele ou o perdão estava ligado a outros motivos ? Depois de ter pensando em tudo isso tomei um banho quente, deitei na cama e decidi que no dia seguinte começaria a minha busca pelo Dr .Felipe Sotelli e tiraria minha dúvida: por que de repente ele foi embora?
Entendi que o que eu sentia por Felipe era AMOR.
Quando o dia amanheceu, comecei a procura aquele cartão como uma louca: revirei a casa até que encontrei uma velha caixa empoeirada , abri e ali estava o cartão, as fotos, as cartas os presentes, tudo que me ligava a ele até o exame que comprava que eu era soropositiva!
Sentei no chão, peguei uma taça de vinho e como chovia muito, parecia que já era noite e fiquei ali olhando para as lembranças, olhando para o passado. Esperei que a chuva parasse e resolvi ligar no seu escritório primeiro .Uma moça muito gentil atendeu e deu as informações que eu precisava , como a que se ele ainda morava no mesmo endereço e ela me confirmou sem questionar nada.
Nervosa. arrumei-me, peguei o cartão com o endereço e fui atrás das respostas que eu precisava.
Quando cheguei ao local, num bairro muito chique lembrei que nunca estivera em sua casa...o medo de encontra-lo com outra família foi tão grande que fiquei sentada do outro lado da rua em um banco debaixo de uma árvore. Acendi um cigarro, dei algumas tragadas,até que a coragem chegou . Atravessei a rua e toquei a campainha : agora não tinha mais como fugir: fiquei ali parada quando a porta da casa se abriu... o meu corpo estremeceu e meu coração disparou.
***escrito por Juliana Costa***
***escrito por Juliana Costa***
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